O mundo fantástico de Eunice

Texto de Paulo Silveiro, in Politecnia, nº16, Setembro 2007

Licenciada em Realização Plástica do Espectáculo pela Escola Superior de Teatro e Cinema, Eunice López Gomes é, aos 33 anos, não só uma talentosa cenógrafa de figurinos mas uma estrela ascendente no universo fabuloso da literatura fantástica made in Portugal. Os seus desenhos, repletos de simbolismo, remetem-nos para um firmamento de geometrias sagradas.

Eunice Gomes aventura-se em criações que exploram a harmonia e as cores étnicas de origem céltica e nipónica. E convida-nos a sonhar com ela, a recriar os sentidos e a espraiar a imaginação.
Herdou dos pais, ambos músicos – ele na Fundação Gulbenkian, ela no Teatro de São Carlos – o gosto pelas artes.
Desde os quatro anos que frequenta os bastidores do espectáculo. Já no início, quando espreitava os camarins e a montagem dos cenários, e assistia aos ensaios de ópera, gostava muito de desenhar. Daí o ter ido para Escola de Artes Decorativas António Arroio.

Ao terminar ali o Curso Geral das Artes quis estudar cenografia. Escolheu, por isso e para isso, a Escola Superior
de Teatro e Cinema, único estabelecimento de ensino que lhe proporcionaria as matérias que queria estudar. Hoje, guarda da escola as melhores recordações – ali adquiriu conceitos essenciais de síntese, aprendeu a
elaborar figurinos e a distribuir as personagens pelo espaço, começou a aplicar à coreografia as artes da pintura e do desenho. A soma e o resto foram o aperfeiçoamento das técnicas que lhe permitem realizar ilustrações, pinturas
e esculturas. Trabalha com aguarelas, guache, ecoline, pastel seco, tinta de óleo, acrílico, tempera e lápis.

Dos tempos da aprendizagem guarda, com especial carinho, os nomes dos professores Paulo Morais, António Casimiro e Helena Reis, que a estimularam a acreditar em si. “Foram os meus mecenas”, diz, reconhecendo que foi graças aos seus contactos junto de produtores e encenadores que teve a oportunidade de mostrar o seu talento.
Para além dos conhecimentos adquiridos nas aulas, Eunice considera que a escola não só lhe permitiu adquirir múltiplos conhecimentos como se revelou importante no desenvolvimento da sua personalidade, preparando-a para enfrentar um mercado de trabalho altamente competitivo. Como sempre lhe ensinaram nas aulas, o mais importante não é a capacidade de criar um projecto, mas o conseguir provar a um produtor ou encenador que a sua ideia é a melhor.

A ligação da artista à Escola de Teatro e Cinema é tão forte que, muitas vezes, convida os seus antigos professores a integrarem os seus projectos profissionais.

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